quarta-feira, março 06, 2013

CMI, carta aberta ao ministro da saúde


Excelentíssimos Senhores
- Ministro da Saúde
- Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde
- Secretário de Estado da Saúde
- Conselho Diretivo da ARS Norte
- Presidente da Câmara Municipal do Porto
- Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia
C/C a Prof Correia de Campos e Dra. Ana Jorge

Assunto: Construção do “Centro Materno-Infantil” e do “Centro de Reabilitação do Norte” versus “Falta de planeamento” e “Total descoordenação”
Senhor Ministro da Saúde

Vossa Excelência, no passado dia 20 de Fevereiro, em sessão pública nas instalações conjuntas da Faculdade de Medicina do Porto/Hospital S. João, declarou que a construção do “Centro Materno Infantil do Norte”, integrado no Centro Hospitalar do Porto, e do “Centro de Reabilitação do Norte” denotam “falta de planeamento” e uma “total descoordenação”, como foi sobejamente divulgado nos media.
Com esta afirmação pública, Vossa Excelência pode ter conseguido um sonoro “soundbyte” tão útil na trica politiqueira, mas demonstrou desconhecer por completo todo o processo que foi percorrido até ser aprovada a proposta de construção dos dois equipamentos, a isenção técnica (e até politico partidária) colocada no estudo e caracterização das necessidades em saúde da população da Região Norte, no brio metodológico utilizado para especificar e quantificar as razões técnicas, financeiras e de ganhos em saúde que justificaram tais projetos e respetivos investimentos.
Com aquelas afirmações conseguiu Vossa Excelência, também e de forma algo gratuita (embora estamos convictos que sem essa intenção), pôr em causa o bom nome de dezenas de profissionais de saúde, quer na perspetiva cívica, de cidadania desinteressada, da prática de valores como a “causa pública” em como se empenharam na análise e estudo dos temas e na produção e aprovação dos seus relatórios (sem qualquer retribuição pecuniária), quer ainda na sua competência técnico científica específica, que, na maior parte dos casos, resulta de um longo percurso profissional reconhecido como de excelência pelo seus pares e pelos seus doentes.
Conscientes de que possuímos um profundo conhecimento dos dois equipamentos de saúde, decorrente dos vários anos em que assumimos responsabilidades públicas pelos serviços de saúde da região Norte, de que conhecemos os detalhes do processo, do percurso até à sua aprovação e início de construção, de que conhecemos as pessoas e instituições que foram ouvidas e que emitiram opinião ou pareceres, vimos informar Vossa Excelência que, naturalmente, estamos ao seu dispor para lhe facultar todas as informações, contribuindo, assim, para que se evitem afirmações como aquelas que Vossa Excelência proferiu no Porto, que, por nada terem a ver com a verdade dos factos, não são úteis a rigorosas e necessárias “Políticas de Saúde”, a uma sadia, custo-eficiente e custo-efectiva “Administração Pública” e à promoção do indispensável envolvimento dos profissionais de saúde e dos cidadãos na vida e no desenvolvimento sustentado do SNS e da sociedade.
Desde já podemos afirmar que a metodologia de trabalho adotado teve como preocupação:
1. Primeiro que tudo, identificar corretamente as necessidades em saúde da população não satisfeitas, à altura, com o rigor que o método científico e o conhecimento em “Planeamento em saúde” permitem. Na consecução deste objetivo foi solicitada a colaboração direta de diversos profissionais de saúde, escolhidos entre os mais experientes, como foram convidadas a emitir parecer entidades tais como: as Direções dos Colégios das especialidades médicas envolvidas, as respetivas Sociedades Científicas, as Ordens Profissionais dos médicos e dos enfermeiros e as Comissões Nacionais formais do Ministério da Saúde, como a da “Saúde da Mulher e Neonatal e a da Criança e do Adolescente” ou os Serviços do Planeamento da própria Direcção-Geral da Saúde, que mais tarde foram incorporados na ACSS.
2. Conhecer e caracterizar a realidade e os problemas dos serviços de saúde envolvidos (recursos humanos, materiais e financeiros existentes, capacidade instalada, produção, evolução da procura e da oferta, eficiência, qualidade e diferenciação dos cuidados que asseguravam, etc.), daí que, no caso do CMIN – Centro Materno Infantil do Norte, foram, desde o primeiro momento, envolvidos e comprometidos os elementos dos CA das três instituições: Hospital Maria Pia, Hospital Santo António e Maternidade Júlio Diniz, cujas reuniões foram lideradas por elementos do próprio CA/CD da ARS do Norte. Não é por acaso que aquelas três instituições foram integradas no “Centro Hospitalar do Porto” (CHP) e o CMIN passará a integrar, num único equipamento, os serviços de consulta externa, internamento e cuidados intensivos de obstetrícia, ginecologia, pediatria e neonatologia que se encontravam duplicados pelos três hospitais. Lembramos que o CMIN faz parte de uma vasta estratégia de reforma hospitalar da Região Norte, levada a cabo nos últimos anos, que permite a prestação de melhores cuidados de saúde, com melhor acesso e com redução da despesa operacional. Comunicamos, ainda, que o Hospital Maria Pia já encerrou as suas instalações, o que, em conjunto com a resolução da duplicação e triplicação de serviços e recursos atrás descrita, através da unificação e redimensionamento daqueles serviços já operada pelo CHP, permitiu à Região Norte poupar imensas verbas ao erário público e contribuir para a sustentabilidade do SNS.
3. Identificar, caracterizar e quantificar os cuidados de saúde que fazia falta prestar, o modo de os prestar de acordo com o “estado da arte”, à altura, a estrutura, os circuitos, os espaços, os equipamentos e os recursos humanos mínimos mas necessários para garantir a prestação de cuidados e os ganhos em saúde que faziam falta à população da região Norte. Enfim, a preocupação em recolher a informação indispensável para a elaboração do respetivo “Programa Funcional”, ao cálculo do “Impacto financeiro” e da sustentabilidade do investimento e à elaboração do “Caderno de encargos” para a abertura dos concursos para a execução do projeto e para a construção. Até aqui, e passe a imodéstia, se demonstra como a ARSN desenvolveu todos os passos dos processos com manifesto rigor de gestão (tirando partido de serviços que adquiriu ao Instituto Superior Técnico), em como a ARSN conseguiu realizar todos os concursos sem uma única impugnação e com total respeito dos prazos e dos custos de adjudicação em coerência com os previstos.
4. Conhecer a expectativa da população, através da audição das opiniões de personalidades que estavam ou haviam estado envolvidos na discussão de um dado equipamento, ou que haviam manifestado a sua opinião nos media, ou, até, colocando em discussão pública a proposta final, antes da sua remessa à tutela para aprovação, prática que não era nada habitual nos processos do Ministério da Saúde.
No que concerne especificamente ao CMIN, de salientar que foram estudadas de forma cuidada, as necessidades em saúde em Ginecologia/Obstetrícia e Pediatria atuais e para o futuro (integrando a perspetiva da evolução demográfica, com a redução da natalidade e a inversão da imigração), bem como a oferta hospitalar existente e a que estava já prevista ser construída, tendo sido dada uma atenção especial à discussão alargada e à transparência dos processos. Vale a pena sublinhar a audição de cerca de 100 especialistas na matéria, ao longo de dezenas de reuniões, o envio para parecer a mais de vinte entidades, a abertura à discussão pública através da sua colocação na Internet (pela primeira vez em Portugal, num processo deste tipo) e a incorporação dos contributos recebidos. Pensámos que se tratou de um processo de planeamento sério, exigente e rigoroso, mas acima de tudo, avaliado externamente de forma muito pormenorizada.
De notar que o processo do CMIN e em função de todo o histórico de mais de 30 anos de discussão, deverá ter sido o processo da construção de uma unidade hospitalar mais auditado em Portugal, nomeadamente pelas sucessivas avaliações do Tribunal de Contas, Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros, Colégios de Especialidade da OM, Sociedades Cientificas, Administração Central dos Serviços de Saúde, Direcção-Geral da Saúde, Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal, Comissão Nacional da Criança e do Adolescente, Comissão Regional da Saúde Materna, Neonatal, da Criança e do Adolescente, Administração Regional de Saúde do Norte, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, Junta Metropolitana do Porto, Câmara Municipal do Porto, Conselhos de Administração e Serviços Clínicos dos Hospitais de S. João, Santo António, Maternidade Júlio Dinis, Hospital Maria Pia, Vila Nova de Gaia e Matosinhos, Escolas Médicas da Universidade do Porto e do Minho (Faculdade de Medicina do Porto, Escola de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Escola de Ciências de Saúde da Universidade do Minho), Grupos Parlamentares, e até, pela Comissão Parlamentar da Saúde da Assembleia da República, tendo existido reuniões com todas estas entidades, submissão de documentos e obtenção de pareceres, sugestões e aprovações. Sem esquecer a divulgação pública de todos os documentos, o que trouxe pela primeira vez nestes processos o contributo muito válido da sociedade civil, permitindo melhorar o projeto, bem como pelo escrutínio de uma atenta comunicação social que acompanhou todo o processo.
Estranha-se que, aparentemente, toda esta avaliação positiva das entidades e especialistas seja colocada em causa, baseada numa análise que não é pública, mas que acontece num período em que se vislumbra uma grave crise no sector da saúde privada no Porto, estando muitos blocos de parto e áreas de atendimento infantil encerradas, apesar de terem sido construídas recentemente, apostando numa degradação real do SNS para poderem ter resultados positivos do seu investimento.
Desculpe-nos uma sugestão, acompanhado de uma boa dose de provocação, porque é que Vossa Excelência não cancela a construção do mega projeto do “Joãozinho” que, à revelia de qualquer exercício de planeamento do Ministério da Saúde, mesmo depois de ser pública a decisão ministerial (anterior à entrada em funções dos subscritores deste oficio) de que o CMIN não iria ser construído no Hospital S. João, se tem mantido na agenda dos media para a obtenção de financiadores, aliás, projeto cuja construção ainda não começou?
No que diz respeito ao Centro de Reabilitação do Norte (CRN), de notar que o mesmo integra a Rede de Referenciação Hospitalar (RRH) de Medicina Física e Reabilitação, elaborada pela Direcção-Geral da Saúde e aprovada pela Secretária de Estado Adjunta e da Saúde em 2002 (e nunca revogada ou alterada, pelo que presumimos se mantenha em vigor), que estabelecia a necessidade de existirem 4 centros de reabilitação do país (Norte, Centro, Lisboa e Algarve), sendo que 3 avançaram e apenas o do norte (que deveria servir 37% da população do país) teve ‘dificuldades’ em ser criado, só sendo possível em 2006, através do Despacho do Sr. Ministro da Saúde.
Nesse documento, estão expressas de forma clara as razões da sua justificação, sugerindo-se ao Senhor Ministro uma leitura atenta: “A criação de um centro de reabilitação na região Norte visa colmatar uma importante lacuna na rede nacional de cuidados de reabilitação, prevista na rede de referenciação hospitalar de medicina física e de reabilitação, por todos considerado indispensável, mas nunca implementado. As estruturas existentes de medicina física e de reabilitação na região Norte do País são manifestamente insuficientes para responder às necessidades, nomeadamente no que concerne aos meios e instalações, e particularmente no que respeita à escassez do número de camas de internamento/ reabilitação.“
Acrescentamos nós, agora, e para um cabal esclarecimento, que os tratamentos prestados num “Centro Regional de Reabilitação” não são, nem devem ser, iguais aos que são assegurados pelos Serviços de Medicina e Reabilitação dos hospitais, muito menos aos que são prestados nas clínicas convencionadas com privados ou com o sector social. Na área da Medicina Física e Reabilitação o SNS entrega aos convencionados grande parte da prestação destes cuidados aos doentes. O Ministério da Saúde, que tanto apregoa, e bem, o aproveitamento da capacidade instalada no SNS, não terá problemas com a supletividade do CRN e a rentabilização dos serviços existentes no Norte, se proceder à avaliação das convenções nesta área e cessar as mesmas com as clínicas cuja prestação não satisfaça critérios de qualidade.
Relativamente à conceção do projeto do CRN, várias dezenas de profissionais, entre médicos de várias especialidades, nomeadamente: fisiatria, ortopedia e traumatologia, neurologia, neurocirurgia, reumatologia, medicina interna, radiologia e pediatria, enfermeiros de reabilitação, os técnicos de fisioterapia, de terapia ocupacional e da terapia da fala, docentes da Faculdade de Medicina do Porto e da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, economistas e gestores, participaram na elaboração da estratégia que garantisse a resposta em cuidados de Medicina Física e Reabilitação às necessidades em saúde da população da região Norte, bem como participaram na definição do respetivo “Plano Funcional” do CRN, projeto que foi amplamente divulgado e aberto de forma transparente à discussão pública
De notar, que apesar da RRH de 2002 estabelecer que o CRN deveria ter 190 camas, o grupo de trabalho entendeu, já na altura, face às necessidades dos utentes e às condições económicas do país, que o mesmo deveria ter apenas 100 camas, tendo os estudos de viabilidade económico-financeira efetuados por entidades externas idóneas, claramente demonstrado o seu equilíbrio económico-financeiro em termos gestionários.
No entanto, se nos permite uma sugestão, e se realmente pensa o que afirmou, que as camas do CRN são aditivas, sendo semelhantes a qualquer cama de internamento hospitalar, pensámos que o Senhor Ministro deve ser coerente e de imediato mandar revogar o protocolo com o Centro de Reabilitação de Alcoitão, pois existe um número exagerado de camas hospitalares na região de Lisboa e Vale do Tejo, que podem facilmente acomodar estes doentes. Ou será que um doente tetraplégico ou com uma doença neuro degenerativa de Lisboa deve ter um centro de reabilitação para efetuar uma recuperação adequada e no Norte o mesmo tipo de doente tem de ir para sua casa, negando-se-lhe esse tipo de cuidados?
Esperemos, sinceramente, que esta tomada pública de decisão do Senhor Ministro nada tenha a ver com os falados propósitos de ser cedida a gestão do CRN a uma Misericórdia, eventualmente por ajuste direto, desvirtuando todo o racional e o trabalho efetuado e nessa altura transformando realmente o CRN em ‘normais camas hospitalares’, que serão cedidas sem nenhum custo de investimento a uma entidade do sector social, mantendo-se a lacuna neste tipo de cuidados na região norte.
De sublinhar que as obras estão a ser financiadas por fundos europeus, tendo sido alvo de uma especial fiscalização por se tratar de elevados investimentos, nomeadamente em termos de avaliação das necessidades em saúde, da sua inserção na rede hospitalar da região norte, bem como dos planos de negócios que visavam a sua autossustentabilidade, tendo em ambos os casos merecida a aprovação das instâncias europeias.
Obviamente, que os processos, relativos a estes dois equipamentos, detêm imensos detalhes, pormenores técnicos e de metodologia, que ficaram devidamente arquivados na ARSN quando cessamos funções e que Vossa Excelência deveria conhecer. Contudo, dado o seu volume e a previsível e limitada disponibilidade de Vossa Excelência para ler todas aquelas páginas, mais uma vez manifestamos a nossa disponibilidade para lhe darmos a conhecer os procedimentos e razões de ser das referidas instituições, que sabemos serem objeto de inúmeros interesses, que devem ter chegado ao conhecimento de Vossa Excelência com manifesta deturpação e manipulação dos factos.
Por último, de notar que, após a fundamentação exigente e bem fundamentada que foi construída pelos técnicos, a decisão foi, naturalmente, politica, tendo sido tomada, em ambos os casos, pelo ex-Ministro da Saúde, Prof. Dr. Correia de Campos. A forma como as afirmações foram produzidas, parece demonstrar que a avaliação que o Senhor Ministro da Saúde faz do seu antecessor, será de alguém impreparado, que não avaliava os processos e que tomou decisões insensatas, o que não corresponde minimamente à realidade.
Em conclusão, esperava-se do Senhor Ministro da Saúde, um conhecimento profundo dos dossiers, uma insensibilidade aos interesses de grupos privados ou do sector social, e uma ausência de populismo, numa área tão critica e tão afetada pela austeridade em Portugal.
Infelizmente o imediatismo, a falta de avaliação dos processos e a ausência de decisões na reforma hospitalar, por parte do atual ministério da saúde, parecem ceder aos interesses privados e do sector social nesta área, com nítido prejuízo dos doentes.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Alcindo Maciel Barbosa
António Pimenta Marinho
Fernando Araujo
Filomena Cardoso
Isabel Oliveira e Silva
Luís Porto Gomes
Manuela Rodrigues Correia
Suzete Gonçalves
(Carta pública assinada por todos os ex-elementos dos CA/CD da ARSN de 2005 a 2011) 2013-02-25

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Paulo Macedo, 100 dias de governação

21.06.11 - Paulo Macedo é empossado Ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional .

26.07.11 – Depois de longo silêncio de cerca de um mês, Paulo Macedo iniciou o seu itinerário de representação mediática com uma visita ao Hospital de Viana do Castelo, onde ensaiou as primeiras linhas de política de saúde que pretende desenvolver
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05.08.11 - Suicídio marca visita do ministro ao hospital de Évora. Paulo Macedo prossegue a visita.
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17.08.11 - Visita ao Hospital Amadora Sintra. Quanto às PPP o Governo pretende “reavaliá-las e para já não pensar em novas”. As unidades de Évora e Seixal ficam, assim, suspensas
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- Entretanto, são publicadas no DR “a sorrelfa” os cortes (antecipados) impostos pela troika:

- Despacho n.º 10429/11 - Determina a redução mensal, em 10 pontos percentuais, dos custos com trabalho extraordinário, comparativamente ao mês homólogo do ano transacto. Demonstração mensal através de documentação contabilística e relatórios mensais. link

- Despacho n.º 10428/11 - Determina que a contratação de médicos através da modalidade de prestação de serviços, por todas as instituições e serviços do SNS, observe os termos legais aplicáveis à contratação pública, e só seja admissível em situações de imperiosa necessidade e depois de se terem esgotado previamente todos os mecanismos de mobilidade, geral e especial, previstos na lei. link

- Despacho n.º 10430/11 - Determina que os hospitais que integram o SNS devem assegurar a realização dos MCDT necessários aos seus utentes como regra, através da sua capacidade instalada. Os estabelecimentos hospitalares integrados no Serviço Nacional de Saúde não podem utilizar as requisições de prescrição de MCDT para as entidades com convenção com as Administrações Regionais de Saúde. Os hospitais que integram o SNS devem promover a devida articulação com unidades de cuidados de saúde primários por forma a possibilitar a realização de MCDT aos utentes do SNS, com o aproveitamento da sua capacidade instalada. link

- Suspensão dos reembolsos directos aos utentes do SNS
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- Despacho n.º 10485/11- Determina o corte de 50% nos incentivos das equipas de transplante. link-

- Despacho n.º 10569/11- Determina a redução dos preços das convenções para a hemodiálise. link

18.08.11 - Primeira grande entrevista à Revista Visão: “'Não tinha, nem tenho, qualquer ambição política'
link Justificação para os cortes: O país não consegue continuar com o nível de despesa em que está sem aumentar a carga fiscal" link

23.08.11 - Desp. n.º 10601/2011 - Criação do “grupo técnico para a reforma hospitalar”, encarregado de desenvolver o estudo de melhoria da eficiência, do desempenho e da qualidade dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, cujo coordenador nomeado é José Mendes Ribeiro, ex-presidente da Unidade de Missão Hospitais SA (2003-2004), nomeado/exonerado por Luís Filipe Pereira e ex-presidente da Comissão Executiva do Grupo Português de Saúde (2004 -2007) pertencente à famigerada Sociedade Lusa de Negócios (SLN) proprietária do BPN. Dadas as posições públicas deste “figurão” em defesa das PPP e do afastamento do Estado da prestação de cuidados de saúde, dificilmente se compreende a sua nomeação para um papel central da política reformadora do hospital público que Paulo Macedo pretende implementar.
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24.08.11 - O Ministro da Saúde e o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, visitaram a Região do Algarve onde o Ministro da Saúde reafirmou a prioridade da construção do Novo Hospital do Algarve: «é uma prioridade nacional», «o interesse é elevadíssimo» sendo este um dos projectos que «está no topo dos investimentos».
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29.09.11 – Paulo Macedo tentou obter autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) para o cruzamento, em tempo real, de dados de saúde entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as Finanças, quando preparava a revisão das taxas moderadoras (indexadas ao rendimento dos utentes) e a comparticipação de medicamentos.
link Gorada esta intenção as taxas moderadoras deixaram de poder ser pagas em função dos rendimentos: “Não temos em vista, na proposta que vai ser apresentada qualquer pagamento diferenciado. O que temos em vista é que os rendimentos só vão contar para efeitos de isenção das referidas taxas" (PM na CPS).

01.09.11 - Entrevista à TVI - Paulo Macedo garante que não será o «coveiro» do Serviço Nacional de Saúde. Mas admite redução na prestação de cuidados médicos. Taxas moderadoras diferenciadas por rendimento e serviços prestados. Ficará isento quem ganhar abaixo do ordenado mínimo.
A terminar a entrevista, o ministro da saúde tem o desplante de afirmar: preciso perceber se o país pode sustentar o atual número de transplantes" e que não há necessidade de haver um incremento no número de transplantes. link

05.09.11 - Assinatura do Protocolo de colaboração entre DGS e Ordem dos Médicos
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07.09.11 - Primeira Intervenção de Paulo Macedo na Comissão da Saúde da Assembleia da República. "Um terço dos hospitais EPE está em falência técnica. Quando se diz que é preciso cortar na despesa, não é por capricho. Assim, os hospitais não vão sobreviver".
Paulo Macedo fez questão de informar os deputados que há, neste momento, um milhão e 732 mil portugueses sem médico de família. Estes números, no entanto, reconheceu o ministro, estarão empolados por “não haver uma informação cruzada” entre os serviços. “Vamos trabalhar para expurgar a base de dados”.
Ponto alto desta sessão foi a interprelação de João Semedo ao ministro da saúde, sugerindo que o Estado rescindisse o contrato com o Grupo Mello (que quer acabar com as fiscalizações da parceria do Hospital de Braga): "De que lado vai ficar o senhor ministro? Do lado de quem fiscaliza ou do lado de quem não quer ser fiscalizado?". "Claramente que as PPP têm de ser fiscalizadas e bem melhor do que acontecia há dez anos. Quem fiscaliza terá o meu apoio, desde que essa seja bem feita". Quanto à rescisão do contrato com o grupo Mello, Paulo Macedo respondeu com outra questão: "O relatório tem suficiente prova para revogar o contrato?".
Nesta sessão o ministro da saúde fez a entrega do documento com a lista de medidas destinadas a reduzir a despesa da Saúde, entre as quais, a descomparticipação do Estado das pílulas anticoncepcionais , vacinas fo cancro do colo do útero, hepatite B e estirpe do tipo B do vírus da gripe.
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07.09.11 - Desp. n.º 11 374/2011 - A partir de 1 de Outubro, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) é obrigada a divulgar mensalmente, no seu sítio da internet, até ao dia 8 do mês n+2, os principais dados de actividade, desempenho assistencial e económico-financeiro das entidades do SNS e outros serviços autónomos.
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09.09.11 Depois de ter anunciado a descomparticipação das pílulas anticoncepcionais, vacinas do colo do útero, hepatite B e estirpe do tipo B do vírus da gripe
link, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado a dar o dito por não dito. link

15.09.11 - Intervenção do Ministro da Saúde na assinatura do contrato de certificação de qualidade entre a DGS e o INEM.
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16.09.11 - Despacho n.º 12083/2011 – Os Hospitais EPE (centros hospitalares e unidades locais de saúde) passaram a estar obrigados à obtenção de autorização prévia do ministro da saúde para a celebração ou renovação de contratos de trabalho ou de prestação de serviços de profissionais de saúde.link link

16.09.11 – Intervenção de Paulo Macedo na AR na apresentação da proposta de Lei n.º 13/XII/1.ª(GOV), link destinada à criação de um regime específico para o processo de autorização de introdução no mercado dos medicamentos genéricos distinto das questões de propriedade industrial relativas às patentes de medicamentos de marca.

16.09.11 - Reestruturação do MS: O Ministro da Saúde garante que «não existirão funções essenciais que fiquem por cumprir mas haverá uma concentração em organismos com maior capacidade de intervenção, uma simplificação de processos que permita a exploração de sinergias e a eliminação de algumas duplicações de funções.»
Tudo resumido: Era necessário apresentar trabalho urgente do lado da despesa, Paulo Macedo socorreu-se do que estava mais à mão: O Alto Comissariado da Saúde já condenado à extinção pela sua antecessora Ana Jorge.
Prevista a extinção de nove entidades: Direcção-geral: Alto Comissariado da Saúde e Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação . Estrutura atípica: Controlador financeiro, Coordenação Nacional Doenças Oncológicas, Coordenação Nacional Doenças Cardiovasculares, Coordenação Nacional Saúde Mental , Coordenação Nacional VIH/SIDA. Estrutura de Missão - Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados, Instituto Público - Instituto da Droga e da Toxicodependência, I. P. 1
Prevista a criação da Direcção-geral: Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências, in Relatório Prmac
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sexta-feira, novembro 25, 2011

Uma mão cheia de quase nada

Relatório para a reforma dos hospitais apresentado ao ministro da Saúde e à Comunicação Social

As expectativas eram muitas, mas foram muito poucas as respostas às questões fundamentais dos protagonistas da reforma hospitalar, inclusive às de Paulo Macedo.
É evidente que terá sempre de haver uma decisão política, mas o relatório do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar (GTRH), apresentado no passado dia 21, em Lisboa, ficou aquém do esperado pelos actores da Saúde e pelo próprio ministro da tutela, que tinha pedido com urgência um «conjunto de acções imediatas», no despacho do passado dia 24 de Agosto que nomeou esta equipa de trabalho.

Entre as missões do GTRH, como se pode ler no normativo, estava a revisão «da carta hospitalar nacional em devida articulação com a rede de cuidados de saúde primários (CSP) e com a rede de cuidados continuados (CC)», a incumbência de «propor alterações ao modelo de financiamento dos hospitais», a «transferência de forma gradual de alguns cuidados actualmente prestados em meio hospitalar para estruturas de proximidade da rede de CSP e da rede de CC», a identificação de «medidas de redução de custos de curto prazo com impacte nos exercícios dos hospitais» e a «redefinição do regime dos mandatos dos CA», entre outras.

Mas, numa altura em que profissionais e utentes precisam de saber com o que podem contar, o prazo foi das poucas coisas a serem cumpridas. Os 90 dias para apresentar o plano de reforma foram seguidos à risca, mas as medidas concretas solicitadas redundaram numa apresentação estratégica generalista.

Oito grandes temas, 79 pontos

Durante cerca de hora e meia, José Mendes Ribeiro, o coordenador do GTRH, apresentou 79 pontos de mudança, incluídos em oito grandes temas. No primeiro deles, «Rede hospitalar mais coerente», o responsável propôs ao ministro a construção do Hospital Oriental de Lisboa e, até estar construído, a integração do Hospital de Curry Cabral e da Maternidade Alfredo da Costa no Centro Hospitalar de Lisboa Central. Pelas suas contas, a construção deste novo hospital significaria uma «poupança de 72 milhões de euros», atendendo ao que se deixaria de gastar em rendas e manutenção dos antigos hospitais. Todos esperavam um apontar de caminhos em relação a encerramentos específicos de serviços e Urgências, mas nada foi dito.
Em relação ao financiamento, as propostas passam pela transformação de todos os hospitais em EPE e elaboração de contratos-programas com a duração de três anos. No entanto, recorde-se que esta última medida já foi objecto de despacho do Ministério da Saúde, estando o seu início previsto, de acordo com Paulo Macedo, para Janeiro de 2012.

Operacionalização não explicada

O acesso e integração de cuidados era um dos temas aguardados com mais expectativa, mas também aí o relatório se revelou vago. A equipa de Mendes Ribeiro considera que os doentes triados como «não urgentes» (40%) devem ser atendidos fora das Urgências, que devem ser definidos critérios de referenciação entre a rede de cuidados primários e a rede hospitalar e que deve ser promovida a consulta de especialidades hospitalares nos centros de saúde. Já a forma de operacionalizar os recursos não foi explicada.

No capítulo «Hospitais mais eficientes», três medidas-pilar foram anunciadas: «ajustamento» dos quadros de pessoal dos hospitais em função das necessidades da procura, «promoção» da mobilidade dos profissionais e criação de um novo regime remuneratório assente no desempenho. De acordo com a análise feita, afirmou Mendes Ribeiro, «existem entre 1200 e 2300 médicos a mais» nos hospitais. Como tal, explicou, «aquilo que propomos é que entre as várias ARS possa haver uma articulação de forma voluntária de recursos de regiões que possam ter mais disponibilidade para outras que estejam mais carentes».
A «Qualidade como trave mestra», outro dos itens propostos, será conseguida, de acordo com o GTRH, com a redução das taxas de infecção nosocomial e de cesarianas, e associando o financiamento dos prestadores a indicadores de qualidade. A estratégia para ambas as reduções não foi detalhada ou sequer apresentada.

Prémios para quem cumprir o contrato de gestão

Sobre as formas de melhorar a governação, a equipa volta a trazer para cima da mesa a necessidade de avaliar o desempenho dos membros dos CA, a sua selecção com base em critérios de competência e a possibilidade de celebrar contratos de gestão com a equipa da administração, estabelecendo um prémio de mandato pelo cumprimento dos objectivos do contrato. Para conseguir o prémio é preciso desenhar um programa de optimização, individualizado para cada hospital, para um horizonte de ajustamento de três anos, sendo «os objectivos de convergência inscritos no contrato-programa plurianual».
No que toca ao capítulo do reforço do papel do cidadão, o relatório aconselha o ministério a «implementar» o princípio de liberdade de escolha do utente, que, segundo Mendes Ribeiro, «seria uma forma de pressão para os hospitais, que iriam concorrer para prestar melhores cuidados e atrair doentes».

Relatório passa à discussão pública

No final da apresentação, o ministro da Saúde, Paulo Macedo recebeu o relatório do GTRH, dizendo que o mesmo irá ser colocado em discussão pública durante 30 dias.
Sobre os pontos propostos, o governante salientou que há medidas «que nos parecem importantes», outras «que merecem ser aprofundadas» e ainda «medidas polémicas».
Não querendo estender-se em comentários, Paulo Macedo sublinhou aos jornalistas que este estudo será complementado com a carta hospitalar e com o relatório do grupo que está a estudar a reformulação das Urgências, e que só com esses elementos «o Governo poderá tomar uma decisão do que será a reforma hospitalar». Isso acontecerá «entre o final deste ano e o princípio de 2012», garantiu.

Medidas principais propostas pelo GTRH

• Construção do Hospital Oriental de Lisboa e redimensionamento da rede hospitalar de Lisboa e Vale do Tejo;
• Criação do Instituto Nacional de Oncologia;
• Unificação da tabela de preços hospitalar;
• Contratos-programa plurianuais (3 anos);
• Transformação de todos os hospitais em EPE;
• Definição de critérios de referenciação entre a rede de cuidados primários e a rede hospitalar;
• Promover a consulta de especialidades hospitalares nos centros de saúde;
• Atender os doentes não urgentes fora das Urgências hospitalares ;
• Promover protocolos de actuação entre os Aces e os hospitais e a eventual criação das UCF;
• Promover a mobilidade dos profissionais;
• Ajustamento dos quadros de pessoal dos hospitais em função das necessidades da procura;
• Criação de novo regime remuneratório assente no desempenho;
• Transferência de actividades da área médica para a de enfermagem;
• Sujeição dos acordos de avaliação prévia de medicamentos aos contratos-programa;
• Redução da taxa de infecção nosocomial;
• Associar o financiamento dos prestadores a indicadores de qualidade;
• Criação do Centro Nacional de Simulação Médica;
• Reduzir a taxa de cesarianas;
• Implementar o registo de saúde electrónico;
• Avaliação do desempenho dos membros do CA;
• Selecção dos membros dos CA com base em critérios de competência;
• Revisão da classificação dos hospitais para efeitos remuneratórios dos CA;
• Implementação do princípio da liberdade de escolha do prestador público;
• Implementar de forma efectiva o consentimento informado;
• Factura pró-forma para sensibilizar o utente relativamente aos custos incorridos pelo SNS em cada episódio clínico.

Tempo Medicina 28.11.11

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